Guarde os seus sentimentos e evite decepções

Aderlon Amorim

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Renunciar? Logo ele?



     A barca de Pedro está afundando, afirmou Bento XVI quando assumiu o papado em 2005. Realmente a barca afundou. O mundo parou para ouvir as justificativas formais de um homem sábio, lúcido e corajoso de 85 anos: “[...] Uma decisão de grande importância para a vida da igreja [ ] eu cheguei à certeza de que minhas forças, devido à minha idade avançada, não são mais adequadas para o exercício do ministério de Pedro”. Ele se cansou, ele realmente está cansado, cansado da hipocrisia acobertada por um sistema capitalista.
    O caráter conservador, ortodoxo, avesso a qualquer mudança ou novidade nas transições e dogmas da igreja, de Bento XVI foi combatido com protestos em várias cidades da Europa durante a sua visita. Renunciar? Logo ele? A ultima renúncia de um papa foi há quase 600 anos, Bento XVI quebrou todos os protocolos e revolucionou a relação de razão e fé.
     Os jornais enfatizaram o histórico de saúde do Papa que já sofreu dois derrames, e atualmente foi revelado um marca passo usado por Bento para reforçar suas desculpas papais. É lógico que um homem de 85 anos tem suas dificuldades por conta do mal da idade, mas reforça o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi: “O Papa não tem nenhum problema grave de saúde”. O que pode estar por trás dessa decisão?
     Bento XVI já tinha dado vários indícios de que ia renunciar o seu cargo, ele visitou o túmulo de Celestino V em 2009, o Papa que há quase oito séculos criou a lei que permitia a renúncia. No ano seguinte, fez orações na catedral de Sulmona, que guarda as relíquias de Celestino. O Papa estava triste, sua alma estava pesada ele queria uma libertação. Quando questionado se ele viria ao Brasil ele responde: “O Papa irá à jornada, eu ou meu sucessor”.
    O Papa se esforçou para convencer a todos que sua decisão foi apenas humana. Erros humanos, escândalos, intrigas, sexualidade. O Papa humilhado ficou entre duas supostas facções da cúria, documentos secretos foram roubados pelo seu ex-mordomo Paolo Gabriele e divulgado em fevereiro de 2012 conhecido com “Vatileaks” levantava superfaturamento na gestão dos gastos do Vaticano, o dinheiro, a rivalidade brutal entre os cardeais, a ambição, o favorecimento e a briga pelo poder. Está claro a mistura da política com os interesses do Vaticano.
      Frustrado, o homem conservador já não tinha forças psicológicas para enfrentar tanta sujeira. A política interna do Vaticano pressionou o caráter de um Papa decidido a fazer história: “Divisões deturpam a Igreja e que as rivalidades devem ser superadas, e que Jesus denunciou a hipocrisia religiosa”. Afirmou Bento XVI. Um coração amargurado, “lobby gay” foi revelado pela investigação secreta à boate do Vaticano.
     Bento XVI não sabia mais quem ele era, chefe de estado do Vaticano ou um guia espiritual que representava Jesus na terra? “Nesses quase oito anos, a igreja viveu dias felizes, mas também momentos difíceis” e confessou muitas vezes ta se sentindo como Pedro no barco com os pescadores, em águas agitadas e ventos contrários. Ele pediu renovação, mas acredito que a sua coragem trará grandes mudanças, ele foi muito corajoso, quebrou a tradição, mudou tudo.
   Depois do “Vatileaks”, claro que além dos fiéis o mundo também queria uma resposta então Bento XVI encomendou em 25 de abril uma investigação a três cardeais aposentados de mais de 80 anos. No dia 17 de dezembro de 2012, eles entregaram um relatório de mais de 300 páginas. Esse relatório está fechado em um cofre e será entregue a Francisco o novo Papa que terá uma grande missão pela frente.
    


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