A
barca de Pedro está afundando, afirmou Bento XVI quando assumiu o papado em
2005. Realmente a barca afundou. O mundo parou para ouvir as justificativas
formais de um homem sábio, lúcido e corajoso de 85 anos: “[...] Uma decisão de
grande importância para a vida da igreja [ ] eu cheguei à certeza de que minhas
forças, devido à minha idade avançada, não são mais adequadas para o exercício
do ministério de Pedro”. Ele se cansou, ele realmente está cansado, cansado da
hipocrisia acobertada por um sistema capitalista.
O
caráter conservador, ortodoxo, avesso a qualquer mudança ou novidade nas
transições e dogmas da igreja, de Bento XVI foi combatido com protestos em
várias cidades da Europa durante a sua visita. Renunciar? Logo ele? A ultima
renúncia de um papa foi há quase 600 anos, Bento XVI quebrou todos os
protocolos e revolucionou a relação de razão e fé.
Os
jornais enfatizaram o histórico de saúde do Papa que já sofreu dois derrames, e
atualmente foi revelado um marca passo usado por Bento para reforçar suas
desculpas papais. É lógico que um homem de 85 anos tem suas dificuldades por
conta do mal da idade, mas reforça o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi:
“O Papa não tem nenhum problema grave de saúde”. O que pode estar por trás
dessa decisão?
Bento XVI já tinha dado vários indícios de que ia renunciar o seu cargo,
ele visitou o túmulo de Celestino V em 2009, o Papa que há quase oito séculos
criou a lei que permitia a renúncia. No ano seguinte, fez orações na catedral
de Sulmona, que guarda as relíquias de Celestino. O Papa estava triste, sua
alma estava pesada ele queria uma libertação. Quando questionado se ele viria
ao Brasil ele responde: “O Papa irá à jornada, eu ou meu sucessor”.
O
Papa se esforçou para convencer a todos que sua decisão foi apenas humana.
Erros humanos, escândalos, intrigas, sexualidade. O Papa humilhado ficou entre
duas supostas facções da cúria, documentos secretos foram roubados pelo seu
ex-mordomo Paolo Gabriele e divulgado em fevereiro de 2012 conhecido com “Vatileaks”
levantava superfaturamento na gestão dos gastos do Vaticano, o dinheiro, a
rivalidade brutal entre os cardeais, a ambição, o favorecimento e a briga pelo
poder. Está claro a mistura da política com os interesses do Vaticano.
Frustrado, o homem conservador já não tinha forças psicológicas para
enfrentar tanta sujeira. A política interna do Vaticano pressionou o caráter de
um Papa decidido a fazer história: “Divisões deturpam a Igreja e que as
rivalidades devem ser superadas, e que Jesus denunciou a hipocrisia religiosa”.
Afirmou Bento XVI. Um coração amargurado, “lobby gay” foi revelado pela
investigação secreta à boate do Vaticano.
Bento
XVI não sabia mais quem ele era, chefe de estado do Vaticano ou um guia
espiritual que representava Jesus na terra? “Nesses quase oito anos, a igreja
viveu dias felizes, mas também momentos difíceis” e confessou muitas vezes ta
se sentindo como Pedro no barco com os pescadores, em águas agitadas e ventos
contrários. Ele pediu renovação, mas acredito que a sua coragem trará grandes
mudanças, ele foi muito corajoso, quebrou a tradição, mudou tudo.
Depois do “Vatileaks”, claro que além dos fiéis o mundo também queria
uma resposta então Bento XVI encomendou em 25 de abril uma investigação a três
cardeais aposentados de mais de 80 anos. No dia 17 de dezembro de 2012, eles
entregaram um relatório de mais de 300 páginas. Esse relatório está fechado em
um cofre e será entregue a Francisco o novo Papa que terá uma grande missão
pela frente.

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