Eu nunca entendi o porque da minha existência, às vezes tudo era tão bom e ao mesmo tempo tudo estava acabado. O conceito que eu tinha de amizade foi mudando de acordo com a convivência diária com pessoas que diziam ser meus amigos.
Eu não tinha mais estímulo de olhar aquela sala cheia de cadeiras hipócritas, as memórias vivas relembravam os crimes que nela acontecia, eu nunca fui notado, se eu estivesse lá ou não, não fazia diferença, tinha que ouvir todas as manhãs discursos enormes que pra mim por mais que fosse inteligente não tinha nenhum valor. Se eu soubesse que essa conquista seria tão dolorida jamais teria lutado, é bem verdade que consegui encontrar umas pessoas que me entendiam ou melhor fingiam que estavam interessados nos meus discursos entediantes, quantas vezes eu segurei as lágrimas para não chorar na frente de uma turma cafona, eles nunca entenderiam o que eu estava passando, isso é íntimo, algo que só eu sei. Talvez eu seja o diferente mas seria entediante ser igual a todos.
Eu demonstrava ser feliz mas algo corroía o meu interior como se fosse dominar o meu exterior e aos poucos tudo o que era íntimo estava exposto para todos verem, isso trazia conclusões contraditórias e uma confusão na cabeça de uma sociedade cheia de regras, nunca gostei de protocolos.
Eu não posso acreditar que apareci do nada, antes de nascer eu estava em algum lugar, não me recordo bem mas com certeza era um lugar que eu me sentia feliz. Não sei quanto tempo ainda resta para mim nesta sociedade passageira mas haverá um novo mundo para as pessoas que não tem esperança neste.
Eu não tinha outro sentimento a não ser a nostalgia, eu não estava grávido mas enjoado de muitos padrões do cotidiano, parece que quanto mais se tem mais confuso e deprimente você é. Nunca tive problemas com a falta de pessoas para se relacionar mas sempre fiz uma seleção de acordo com a minha personalidade. A minha felicidade é tamanha pois as pessoas não sabem a dimensão do nível de absorção que eu tenho de determinados conteúdos jogados no ar, fico rindo sozinho quando vejo algo e não posso contar.
O meu amigo estava preocupado com o meu comportamento de desânimo, isso me deixava animado (risos), ele ainda não estava entendendo nada mas é melhor que ele não entenda.
AMORIM, Aderlon. Eu já não sou aquele menino. João pessoa, 2013.
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